12/04/08

O "arrojo"

É com prazer que leio as opiniões do nosso camarada, pois, além de revelarem inteligência, revelam também ponderação e espirito crítico.
Subscrevo o que o Pedro escreveu e foram essas e outras dúvidas que levaram os deputados do PS na Assembleia Municipal, e anteriormente, os vereadores do PS em reunião de Câmara, a votarem contra a proposta da Câmara. O Sr.Presidente apelidou-se de "arrojado" e insinuou que quem vota contra não é arrojado.
Deve estar a pensar no arrojo da Praça Dr. Alípio de Melo, esse "jardim de pedra" que dificulta uma simples ida à fonte do Toural buscar água nos nossos garrafões...

Ou então está a referir-se ao "arrojo" da rampa contruída na Rua Casimiro de Andrade que custou qualquer coisa como 374.979,13€...

Com a proposta que a Câmara apresentou o sr. Presidente pretenderá rapidamente deitar abaixo mais uns quantos edifícios e deixar a sua "marca única" no território da cidade. Não é por acaso que há quem o apelide com o cognome de "Demolition Men" e para quem não se recorda vá à ex-Auto Garagem e veja aquele trabalhinho bonito.

Há pessoas que ou não gostaram da disciplina de História na escola e acham que o passado não serve para nada ou então têm vergonha do mesmo e querem apagá-lo.

As zonas da cidade em causa têm uma importância única não só na nossa cidade / concelho mas, na região e por isso é necessário arranjar uma solução o mais abrangente possível que possa conciliar a questão do património histórico com as necessidades actuais e futuras dos cidadãos.

É bom ver que há quem se preocupe com a nossa terra.

Um Abraço Pedro!

06/04/08

Requalificação

Como muitos de vós sabeis concerteza, foi aprovada em Assembleia Municipal, uma proposta de parceria público-privada, com vista à requalificação do centro de Gouveia nomeadamente o actual Mercado e zona dos Bellinos( antiga fábrica Bellinos). Neste "pacote" estará também a criação da nova zona industrial nos terrenos da ex-SIG. Para já venho aqui falar do centro de Gouveia, não porque a zona industrial não seja importante, mas porque do ponto de vista urbanístico é bem mais sensível. Sensível porquê? Estamos a falar de uma malha urbana com muitas derivações e influências que ao longos dos anos de apoderaram do " Lugar". Arquitectónicamente falando, o "Lugar" é fundamental, o seu estudo é o ponto de partido para o conceito que tornará o projecto em algo de concreto e material.
Ao longo dos anos, Gouveia viu-se com erros urbanísticos craços que hoje se tornam obstáculos ao seu desenvolvimento, tudo porque os "Senhores do Poder", julgam-se Arquitectos, Urbanistas, Empresários...
Acho que o projecto tem fundamento, é preciso dinamizar a cidade, dar-lhe um ar fresco, tirar a cidade do marasmo, tornando aquele espaço vivo, em que haja analogias entre espaços públicos e privados contíguos, com estrutura. O primeiro passo será o debate, políticos, urbanistas, população e empresários deverão entrar num concenso sobre o que fazer com aquele "Lugar". Não se pode, como já li num jornal, comparar Gouveia com as malhas urbanas de Viseu ou Tondela, falar de volumetrias como quem fala em passeios e arruamentos, deixemos isso para quem sabe. Sobretudo, é preciso não esquecer a envolvência àquele "Lugar", a ribeira, o Bairro do Castelo, com uma malha muito específica, a "nova" Praça Alípio de Melo ( o maior erro dos últimos tempos) e a estrada da Serra.
Não podemos esquecer de igual modo, que neste processo existe uma parceria público-privada em que os segundos não entram para perder dinheiro, mas é importante que não se caía no erro de construir somente um aglomerado habitacional, com toda a especulção imobliária que poderá envolver o valor daqueles terrenos. Está diante de nós construir ali um espaço dinâmico, em que a cultura poderá fazer parte do conceito do projecto, o turismo terá de ser levado em consideração e sobretudo dar funcionalidade e vida onde os jovens da cidade poderão se orgulhar e fazerem parte integrante daquele "Lugar".

22/02/08

Palmadinhas nas Costas??

Olá Camaradas!

Como um dos objectivos do blog é debater, acho por bem publicar um excerto de um outro blog e que considero ser assunto de atenta reflexão.

"Como suspeitava e ontem me confirmou quem lá esteve, a reunião do Secretário geral do PS com professores militantes do PS foi puro marketing partidário. É certo que foram anunciadas algumas pequenas concessões em duas ou três coisas de somenos, mas o essencial foi permitir a catarse dos que sendo socialistas e professores se sentem no meio de tenazes ameaçadoras, para a equipa do ME mostrar aos "camaradas" que devem estar orgulhosos da obra feita e para o Primeiro Ministro lhes dar umas revigorantes palmadinhas nas costas preparando o terreno para as próximas batalhas partidárias.
No essencial deve assinalar-se que os professores militantes do PS não têm qualquer intervenção na formulação das políticas educativas e sofrem-nas na pele como todos os outros. Reside aqui o cerne do problema. Em democracia era suposto que houvesse participação alargada na formulação das políticas e era suposto que um partido que governa ouvisse as suas bases e não se limitasse a "falar" para elas. É por isto que se chegou onde sabemos, por défice de participação e excesso de arrogância".José Manuel Silva,
ex-Director Regional de Educação do Centro
http://www.campolavrado.blogspot.com

13/02/08

A Irresponsabilidade da Multidão

Acho muito interessante este pequeno texto.

"A multidão que se chama parlamento nunca se sente tão feliz como quando pode calar com gritos um orador e derrubar um ministro; a multidão que se chama comício agita-se e exalta-se, mal um grito a incita a bradar «Abaixo!» sob as janelas de um inimigo ou a reclamar a cabeça de um indivíduo odiado ou ainda a queimar qualquer símbolo do poder, quer se trate de um panfleto, quer de um palácio de justiça; a multidão reunida num teatro que dá pelo nome de público pode aplaudir uma peça nova, mas, quando estimulada, não hesita em condenar e precipitar à força de uivos e assobios quem supunha tê-lo conquistado e ser-lhe, pelo engenho, superior. No fundo, toda a multidão é um público, que não quer dispersar sem ter assistido a um espectáculo. No entanto, selvagem como é, prefere os espectáculos trágicos; sente o circo dos gladiadores ou o torneio, mais do que a fábula pastoral. Quando se animaliza, quer sangue - pelo menos, vê-lo. Estar entre muitos incute a sensação de força, ou seja, da prepotência e, ao mesmo tempo, a certeza da irresponsabilidade e da absolvição. "

Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'

02/02/08

Desabafos...

Olá caros camaradas!

Finalmente alguns minutos para poder partilhar alguns desabafos.

Quando decidi que queria participar na política (em particular a nível local) foi algo ponderado e realmente com vontade de poder participar na sociedade de uma forma que ainda não tinha feito até então.

Quando iniciei funções na JS Gouveia introduzimos a ideia de que um juventude partidária não pode nem deve ser apenas um comjunto de jovens disponíveis para trabalhar a colar cartazes. Antes de mais deverá ser uma escola de valores e de formação.

Esta é a teoria que defendo e a prática que tenho defendido nas diversas actividades desenvolvidas.

Agora a praxis de muita gente, e em particular das gerações mais velhas, (as que estão no poder) é diferente.

Essas gerações têm receio do debate franco e da correspondente abertura. E digo isto independentemente dos partidos (seja mais à esquerda seja mais à direita).

Tenho ficado assustado e cada vez mais revoltado com uma série de notícias que têm surgido na comunicação social e que são do conhecimento de todos.

Assustado porque o estado de coisas parece ser cada vez mais grave e revoltado porque também me parece que ninguém consegue (ou quer) resolver nada.

Retenho apenas uma ou outra.

Primeiro: As declarações do Bastonário dos Advogados, criticadas por uma série de puristas que se sentem ofendidos com aquilo que parece evidente ao comum dos cidadãos. O estado de coisas vai continuar igual.

Segundo: Apenas (a nível nacional) Ferro Rodrigues, António José Seguro e Manuel Alegre têm tido coragem para colocar o dedo em algumas feridas, seja a nível do tema da corrupção, seja da actuação de alguns ministérios. O PS caracteriza-se por ter uma multiplicidade de vozes críticas que assim contribuem para a riqueza do partido. Faltam mais vozes, não para destruir mas, para construir melhor.

Terceiro: As recentes notícias sobre o Eng. José Sócrates e as assinaturas. Parece-me, mais uma vez, que há apenas aproveitamento político e não a intenção de realmente modificar seja o que for. Claro, só modificar o partido que está no Governo.

Quarto (e calo-me): O Jackpot (segundo a última edição do Expresso) que saiu ao Casino Lisboa com a assinatura do Ministro da altura (Telmo Correia).

Hoje na Antena1, José Manuel Pureza, a propósito dos 400 anos do Padre António Vieira, disse(e concordo plenamente) que o padre jesuíta foi um dissidente da sociedade de então. Dissidente pois defendia claramente os mais pobres e desfavorecidos contra os interesses instalados. Tanto que defendia que até teve "direito" a um processo da Inquisição. O Padre António Vieira além de ir à missa regulava a sua prática pelos valores que defendia.

Agora para terminar mesmo, falta modificar a linguagem bonita e politicamente correcta que estamos habituados a ter, para um uma bocadinho mais directa, não radical, mas directa.

É tempo de neste país sucessivas gerações de pessoas que vivem na pobreza, na ignorância, na doença, sem acesso a bens e serviços essenciais, se emanciparem e melhorarem as suas condições de vida (e não de sobrevivência).

É tempo de as nossas gerações assumirem as suas convicções e lutarem por elas e não irem apenas na procura da satisfação dos seus próprios interesses e pior ainda, seguirem os métodos das gerações mais velhas para alcançar o poder e exercê-lo.

Até já camaradas...

23/01/08

É preciso debater!

Aproveitando o artigo anterior do Pedro Pacheco, é preciso debater! Mas é preciso debater na sua plenitude, com temáticas sérias e realisticas, sobretudo capazes de mobilizar o concelho que tanto queremos que se desenvolva de forma sustentável. É difícil mobilizar nos dias de hoje uma cidade como Gouveia e tão pouco os jovens, que estudam fora e ambicionam outros patamares que a sua cidade natal não lhes proporciona. É preciso inverter esta situação, é preciso fazer acreditar que é possível criarmos raízes profundas de equilibrio de modo a construir um concelho do ponto de vista económico mais rico, socialmente mais justo, de oportunidades para todos. Teremos que sensibilizar esses jovens, oriundos deste concelho para que possam sentir que têm espaço e direito à palavra, que deles depende o futuro do concelho. Mas igual modo é preciso que esses jovens oriundos do concelho também passem a palavra a outros jovens de qualquer ponto do país e mostrar que o interior do nosso país poderá ser a via do desenvolvimento, do equilibrio e da sustentabilidade.

22/01/08

QUAL O PAPEL DAS JUVENTUDES PARTIDÁRIAS?

Este foi o tema de um forum organizado pela Rádio Altitude da Guarda, que contou com a participação de vários jovens, com ligações às diferentes Juventudes Partidárias.
Eu fui um dos participantes e aproveito o facto de a Juventude Socialista de Gouveia colocar ao dispor da população de Gouveia, um meio que permite divulgar informação.
Gostaria de partilhar com todos aqueles que visitam este blogue, a minha ideia sobre o estado e o verdadeiro papel que as Juventudes Partidárias, em particular a Juventude Socialista, têm ou podem ter, na nossa sociedade.

As Juventudes Partidárias estão hoje desacreditadas devidos aos erros cometidos ao longo de 34 anos de Democracia.
Erros mais por culpa alheia do que própria, mas erros efectivos que marcam a sua actividade.
Na 1ª fase do pós 25 de Abril, as Juventudes Partidárias foram verdadeiras escolas de formação cívica e de aprendizagem democrática e foram o colorido e a alegria das campanhas eleitorais.
Veio depois a fase do carreirismo político em que ser líder ou dirigente nacional era o que interessava como trampolim para vir a ser deputado ou entrar para gabinetes ministeriais durante os anos 80 e 90, sendo claramente a JSD a grande responsável durante os governos do Professor Cavaco Silva.
Foi esta atitude que marcou tão negativamente as juventudes partidárias, que afastou e ainda afasta muitos jovens, porque ser de uma jota qualquer passou a ser sinónimo de um tacho partidário.
Hoje, eu e muitos outros, estamos aqui para retomar o rumo de um certo idealismo.
Eu estou na JS para aprender a ser melhor cidadão, para aprender a viver melhor em Democracia, para lutar por políticas de Juventude que dêem um futuro com dignidade e esperança à minha geração.
Quero que a minha Juventude, a JS, seja uma verdadeira escola de cidadãos, uma casa onde se debatem ideias e partilham experiências.
Repudio todas as tentativas de nos transformarem nos totós que só servem para gritar slogans em comícios ou colar cartazes nas campanhas.
Sabem, eu tenho uma ambição para a JS, que é torna-la desejada pelos meus colegas, amigos e conterrâneos.
Desejada porque ali aprende-se, ali formamo-nos como homens e mulheres da liberdade e da defesa dos direitos humanos, como escola cívica.
Eu sei também que não é fácil porque a politica esta desacreditada e os políticos não são levados a sério, mas nós os jovens, temos de resistir à descrença e lutar para mudar as coisas.
Os distritos pequenos, que são aqueles onde há mais dificuldade de recrutamento de jovens para a actividade partidária, porque somos poucos e muitos ainda estudamos ou trabalhamos fora das nossas terras, podemos aproveitar o facto de todos nos conhecermos desde a primária ou secundário para iniciarmos uma viragem nessa mentalidade contra as juventudes partidárias.
Na JS da Guarda estamos a procurar fazer isso, dar a volta por cima, credibilizar a militância, ser útil ao partido, não por seguidismo, mas porque em 1º lugar, procuramos ser úteis aos jovens e mostramos interesse pelos problemas das nossas comunidades, dos nossos concelhos e do nosso Distrito.